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Antes de criar um agente de IA, automatize o que você já faz todos os dias

Por Fernando Barra · · 5 min de leitura

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Automação com IA: do chat ao agente em cinco etapas

Todo mundo está falando sobre agentes de Inteligência Artificial.

Agentes que pesquisam, analisam, tomam decisões e executam tarefas praticamente sozinhos.

É um avanço importante. Mas tenho percebido um problema: muita gente está tentando ir direto do Chat para o Agente.

E está pulando algumas etapas muito mais simples — e que podem gerar resultado imediatamente.

Antes de construir um agente sofisticado, eu faria uma pergunta:

Quantas vezes por dia você abre uma IA para pedir algo que já pediu ontem?

Se a resposta for “várias”, provavelmente você não precisa de um agente.

Você precisa de uma automação.

Do Chat ao Agente

Eu gosto de pensar na evolução do uso da IA em cinco etapas:

Chat → Tarefa → Rotina → Monitoramento → Agente

No Chat, eu peço alguma coisa agora:

“Qual é a previsão do tempo para amanhã?”

Na Tarefa, acrescento um momento para aquilo acontecer:

“Amanhã, às 7h, veja a previsão do tempo.”

Na Rotina, transformo isso em algo recorrente:

“Todos os dias, às 7h, veja a previsão do tempo.”

No Monitoramento, não quero mais ser informado o tempo todo:

“Monitore a previsão e só me avise se houver previsão de chuva.”

Finalmente, no Agente, a IA pode ir além da informação e executar uma ação:

“Se houver previsão de chuva, reorganize meus compromissos externos.”

Perceba a diferença.

Nem todo problema precisa começar pelo último estágio.

O maior ganho pode estar nas tarefas mais simples

Quando pensamos em IA, normalmente pensamos nas tarefas mais difíceis do nosso trabalho.

Mas talvez estejamos olhando para o lugar errado.

Imagine uma atividade muito complexa que você realiza uma vez por mês.

Agora compare com uma tarefa simples que consome 30 minutos todos os dias.

Individualmente parecem atividades pequenas.

Mas 30 minutos por dia representam aproximadamente 10 horas em um mês de 20 dias úteis.

É aí que a automação começa a ficar interessante.

Não precisamos necessariamente automatizar a tarefa mais sofisticada.

Precisamos identificar aquilo que se repete.

Quantas horas a sua equipe perde com tarefas repetitivas?

Fernando Barra conduz palestras e treinamentos de automação com IA para equipes e lideranças, com foco nas tarefas reais do dia a dia.

Falar sobre um treinamento

Três perguntas para encontrar o que automatizar

Tenho usado três perguntas simples:

1. O que precisa acontecer?

Qual é exatamente o resultado esperado?

2. Quando isso deve acontecer?

Uma vez? Todos os dias? Toda segunda-feira? Quando chegar um e-mail? Quando determinado evento acontecer?

3. Onde isso precisa acontecer?

Na internet ou no meu computador?

Essa terceira pergunta é particularmente importante.

Se quero pesquisar notícias, consultar informações públicas ou analisar serviços conectados, muitas automações podem acontecer na nuvem, mesmo com meu computador desligado.

Mas se quero organizar arquivos da pasta Downloads do meu computador, por exemplo, a automação precisa ter acesso à máquina.

O lugar onde estão os dados ajuda a determinar onde a automação deve acontecer.

Três automações que praticamente qualquer profissional pode usar

Existem dezenas de possibilidades, mas três exemplos mostram bem o potencial.

1. Criar um briefing automático

Eu preciso acompanhar constantemente o que muda em ferramentas de IA.

Em vez de abrir vários sites e procurar novidades manualmente, posso criar uma rotina que, periodicamente:

O mesmo raciocínio pode ser aplicado a mercado financeiro, concorrentes, legislação, clientes, tendências do setor ou qualquer assunto relevante para o trabalho.

2. Monitorar os e-mails que realmente precisam de atenção

Outra tarefa que consome muito tempo é abrir a caixa de entrada e descobrir o que realmente merece uma resposta.

Uma automação pode analisar as mensagens recebidas, ignorar promoções, newsletters e notificações automáticas e identificar apenas aquilo que exige:

Aqui existe uma mudança importante de lógica.

Em vez de a IA me informar tudo, ela passa a trabalhar por exceção:

“Só me avise quando eu precisar fazer alguma coisa.”

Isso é monitoramento.

3. Organizar arquivos automaticamente

Ao longo do dia, nossa pasta de Downloads vai acumulando PDFs, planilhas, imagens, apresentações e documentos.

Por que fazer essa organização manualmente?

Uma rotina local pode analisar os arquivos, identificar seu conteúdo e movê-los para as pastas adequadas.

E ainda podemos estabelecer regras de segurança:

Parece pequeno.

Mas são justamente essas pequenas tarefas que, somadas, roubam horas do nosso mês.

Não comece perguntando “como criar um agente?”

Essa talvez seja a principal mudança de mentalidade.

Em vez de começar perguntando:

“Como posso criar um agente de IA?”

Experimente perguntar:

“O que eu faço repetidamente que uma IA poderia fazer sem eu precisar pedir novamente?”

Essa pergunta muda completamente o jogo.

Porque o objetivo não deveria ser criar a automação mais sofisticada.

Deveria ser eliminar trabalho repetitivo.

Comece pequeno.

Escolha uma tarefa que você realiza praticamente todos os dias.

Defina:

  1. O que precisa acontecer.
  2. Quando precisa acontecer.
  3. Onde precisa acontecer.

Automatize.

Depois procure a próxima.

É assim que deixamos de simplesmente usar Inteligência Artificial e começamos a construir uma nova forma de trabalhar.

E talvez o primeiro passo para chegar aos agentes não seja criar um agente.

Talvez seja simplesmente parar de pedir todos os dias para a IA aquilo que ela já poderia estar fazendo sozinha.

Qual tarefa você repete praticamente todos os dias e poderia automatizar hoje?

Leve a automação com IA para a sua empresa

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Fernando Barra

Palestrante, escritor e professor com 25 anos de experiência em tecnologia e inovação, com passagens por Cognos e IBM. Autor dos livros Meu Emprego Sumiu e Inteligência Artificial Ampliada, fundador da Skillplace, professor na Link School of Business e colunista sobre o Futuro do Trabalho na rádio Nova Brasil FM.

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